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Hospitais Federais no Rio de Janeiro

Como fica a alimentação após a cirurgia bariátrica ?

Mudança de hábitos alimentares e suplementação de nutrientes são parte da rotina de pacientes submetidos à redução de estômago

Compromisso e disciplina fazem parte da rotina de adaptação dos pacientes que realizaram a cirurgia bariátrica. No ano passado, mais de 7.500 brasileiros fizeram o procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e tiveram que modificar hábitos alimentares antes mesmo da cirurgia. O período pós-operatório é uma fase fundamental desta abordagem terapêutica, que inclui diversas especificidades. É seguido de acompanhamento periódico para corrigir possíveis deficiências de nutrientes e alterações metabólicas.

Luiz Gustavo Oliveira, médico responsável pelo setor de Cirurgia Bariátrica do Hospital Federal de Ipanema (HFI), explica como o método auxilia no emagrecimento: “De modo simplificado, a cirurgia reduz o estômago, fazendo uma ligação direta deste órgão com o intestino, o que diminui a área de absorção de nutrientes e facilita a perda de peso”. Desta forma, os pacientes podem apresentar deficiências nutricionais no pós-operatório e esta situação precisa ser monitorada para correção e controle, por meio de medicações. Em todo o processo o paciente é acompanhado por uma equipe multidisciplinar, composta por cirurgiões, endocrinologistas, nutricionistas, cardiologistas e fisioterapeutas.

O endocrinologista da equipe, Adriano Lacerda, esclarece que a opção pela cirurgia deve considerar aspectos importantes como a mudança de hábitos de vida, com reeducação alimentar e prática de atividades físicas, além das implicações metabólicas decorrentes do procedimento, como suplementações por período determinado ou continuamente. “A maioria dos pacientes necessita repor nutrientes, sendo comum a reposição regular de ferro, vitamina D3 e complexo B, principalmente ácido fólico e vitamina B12”.

Cristiane Nascimento, 43 anos, passou pela cirurgia no HFI e faz a suplementação. Ela operou em junho deste ano e já perdeu 46 quilos desde o início do tratamento. Hoje pesa 70 quilos e se diz feliz com o resultado: “Sou uma nova pessoa! Antes tinha diabetes, hipertensão e hérnia de disco. Agora estes problemas estão controlados e eu não preciso mais tomar medicação, tomo apenas vitaminas. Tenho cuidados para ter uma alimentação saudável, sem excessos”, reforça.

Pré-Operatório – Renata Lisboa, nutricionista do hospital, detalha a preparação para o procedimento e os cuidados após a cirurgia. No pré-operatório a nutrição orienta uma dieta com ênfase em proteínas para reduzir o peso dos pacientes de 5 a 10%. “Restringimos a carne vermelha um mês antes e adotamos uma dieta líquida nos três dias antes da cirurgia”, destaca. Ela recomenda uma mastigação mais demorada e o aumento do número de refeições ao longo do dia. Roberta Gonçalves, passou pela cirurgia em maio do ano passado e hoje faz acompanhamento no ambulatório de nutrição do HFI. Segue as orientações: “como um pouco de tudo, mas em pequenas porções e evito gorduras”, revela a paciente que tinha 136 quilos e atualmente pesa 81 quilos.

Novos hábitos – Após a perda de peso, os pacientes são reavaliados para seguir à última etapa cirúrgica – a realização de cirurgia plástica para remoção do excesso de pele. A equipe da nutrição também orienta os pacientes, inserindo alimentos que estimulem a cicatrização para facilitar a recuperação. Em seguida, o acompanhamento é contínuo, para monitorar a adesão ao tratamento e cuidar de outras doenças associadas à obesidade.

Por: Pâmela Pinto

Arte: Laryssa Rocha

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